Só 27% dos CEOs sempre envolvem o RH
A integração entre a liderança executiva e a gestão de pessoas é um tema de suma importância, principalmente nos dias de hoje. Diariamente, as organizações enfrentam dinâmicas de mercado velozes e complexas, nas quais o capital humano dita o sucesso ou o fracasso de qualquer projeto corporativo. Como parte do RH, percebo que nosso papel é crucial para garantir que as diretrizes do negócio andem lado a lado com o bem-estar e a capacidade produtiva das equipes. Contudo, dados recentes mostram que a distância entre a diretoria e a área de pessoas ainda é expressiva: uma pesquisa revelou que só 27% dos CEOs sempre envolvem o RH nas deliberações mais relevantes das companhias.
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O distanciamento entre a alta liderança e o setor de Recursos Humanos
De acordo com um levantamento conduzido com 250 gestores de Recursos Humanos durante o evento HR First Class e divulgado pelo Valor Econômico, apenas 27,1% dos profissionais afirmam que o principal executivo da organização inclui a área em todas as resoluções vitais. Outros 27,9% relatam participar da maioria das resoluções de grande impacto, enquanto 16,4% dizem ser acionados quase que exclusivamente para pautas restritas a pessoal, e 20% afirmam receber consultas apenas pontuais.
Esses números escancaram uma contradição recorrente no ambiente corporativo. Embora grande parte dos discursos empresariais posicione os talentos como o ativo primordial das empresas, a prática executiva ainda isola as lideranças de RH no momento de desenhar os rumos da instituição. Trabalhar na gestão de pessoas exige hoje uma conexão direta com indicadores de mercado, rentabilidade e sustentabilidade organizacional.
Por que a área ainda enfrenta barreiras na tomada de decisão?
O estudo aprofundou as causas que explicam essa lacuna de comunicação e posicionamento entre o comando executivo e os gestores de talentos. Entre os fatores de maior peso apontados pelos próprios líderes participantes, destacam-se:
- Visão operacional persistente (28,8%): o departamento ainda é enxergado primordialmente como executor de processos burocráticos, departamento pessoal e rotinas administrativas, em detrimento de uma postura consultiva.
- Foco exclusivo em resultados de curto prazo (23%): a cobrança urgente por metas imediatas empurra para segundo plano planejamentos estruturais voltados a pessoas e retenção a longo prazo.
- Distanciamento entre estratégia corporativa e gestão de pessoas (17,3%): desalinhamento entre o que se planeja comercialmente e a prontidão das equipes para executar as tarefas com saúde e equilíbrio.
- Baixa participação histórica em decisões-chave (14,4%): falta de espaço consolidado na governança corporativa tradicional para a cadeira de Recursos Humanos.
Onde a participação do RH deveria ser prioridade máxima?
Quando questionados sobre quais frentes demandam maior presença da área, 30,8% dos gestores destacaram a formulação de estratégias para lidar com as transformações mercadológicas. Outros 28,8% apontaram o planejamento voltado à expansão e ao crescimento da organização.
Na visão de especialistas como Marcos Scaldelai, organizador do evento de Recursos Humanos, o departamento não pode adotar uma postura passiva. Mesmo diante de diretores que não abrem espaço espontaneamente, cabe aos gestores de talentos demonstrar com métricas, inteligência de dados e visão sistêmica como a preservação do capital humano protege a rentabilidade, reduz o absenteísmo e evita o esgotamento das equipes.
O impacto da integração entre saúde corporativa e estratégia de negócios
Quando decisões estruturais são tomadas sem a visão de quem gerencia pessoas, os impactos recaem diretamente sobre a saúde mental e a sustentabilidade do trabalho. Cobranças desmedidas, falta de dimensionamento de equipes e processos mal desenhados geram sobrecarga física e psicológica. Isso culmina em quadros graves de burnout, rotatividade elevada e prejuízos operacionais.
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Fonte: Google News




